terça-feira, 2 de julho de 2013

Zygmunt Bauman e a Modernidade Líquida


PORCHEDDU, Alba. Zygmunt Bauman: entrevista sobre a educação. Desafios pedagógicos e modernidade líquida. Cad. Pesqui.,  São Paulo,  v. 39,  n. 137, Aug.  2009.   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742009000200016&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 01 de julho de 2013.

A atividade 8 desta disciplina prevê a leitura obrigatória da entrevista com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, criador das expressões modernidade líquida e modernidade sólida, termos que cunhou para sustentar sua teoria de que a sociedade atual repudia a solidez das coisas, das relações e de qualquer vínculo mais sólido que possa condenar uma pessoa a permanecer atrelada ao mesmo por tempo indeterminado, ou tempo suficiente para fazê-la perder outras oportunidades desconhecidas.

Zygmun nos fala de como a educação sólida e rígida das carteiras escolares perdeu sua força nessa nova era de conhecimento descartável, de inconstância e brevidade, exigindo um novo padrão de comunicação que desperte o interesse do alunado, sem mitigar a vontade destes em adquirir conhecimento, dando sentido ao conhecimento repassado e adquirido, dando consistência ao que se ensina na medida de sua utilidade, já que adquirir conhecimento por adquirir não faz mais sentido nessa época de grande descarte do que já não nos serve.

Lendo essa entrevista, primeiramente pensei em quão desencorajador me parece a perspectiva de dar aula nesse contexto de descartabilidade social, em oposição ao que a natureza nos clama em termos de preservação ambiental. O descarte não faz sentido para mim. Sou de outra época, em que se dava importância à preservação em geral: o conhecimento, os utensílios, as relações, os amigos, o saber, etc. Meu contexto pode ter mudado, mas minha ideia de preservação não. Logo, ainda não entendi como farei para dar conta desse tipo de relação que as pessoas possuem com o que as cerca. Sou apegada a alguns hábitos, arraigados de infância, como levar meu sapato com a sola descolada no sapateiro para que ele o ajeite e o mesmo dure mais uns 5 anos; consertar minhas calças de 8 anos de vida mas rasgadas no fundilho, juntar garrafinhas de vidro de vodca Smirnoff para fazer conservas de pimenta. Portanto, como não ensinar isso aos meus alunos? Que devemos tentar conservar ao máximo nosso produtos de subsistência e darmos mais valor ao conteúdo que à embalagem, falando em termos gerais, inclusive de relações?

Penso que essa transmutabilidade de informações e dinâmicas de relações que nos rodeia na atualidade, obriga a educação e, por consequência, os docentes a seguir um rumo completamente novo em matéria de transmissão de conhecimento.

O que primeiro muda é nossa postura de detentores do conhecimento para semeadores de ideias. Penso que o conhecimento não é propriedade do professor, da escola ou da coordenação pedagógica de uma instituição. O conhecimento não é posto, visto que sua vida se restringe à descoberta de um outro conhecimento que o sobreponha. Portanto, sempre que, na condição de professores semearmos uma ideia em nossos alunos, devemos considerar o que o aluno propõe ao ter contato com essa ideia. Isso é o que realmente importa: a construção do pensamento de cada aluno. O que de fato deve nos interessar é o que o aluno criou a partir do que foi compartilhado com ele.

Antigamente - e ainda hoje - os professores costumavam apreciar seus alunos segundo sua capacidade de memorização de uma matéria, sua capacidade de recitar um conteúdo a partir de seus estudos baseados em seus ensinamentos estruturados. Essa apreciação, a meu ver, hoje não possui lógica alguma no sentido de obtenção de conhecimento. Diante de tão forte transitoriedade e impermanência o que vale de fato é a análise e compreensão do discurso, e o produto que se obtém disso. Se essa capacidade de compreensão for dominada no sentido de entendida e praticada, qualquer novo conhecimento que se sobreponha ao anterior será assimilado com maior facilidade e a cognição é que fará sentido, dando sempre a conexão entre um aprendizado e outro, entre uma nova informação e a antiga. Isso não significa que aprender a tabuada não fará mais sentido, mas só saber a tabuada e suas funções não fará sentido sem entender como se contextualiza esse conhecimento, como se conecta a outras matérias e conhecimentos, afinal, o que se produz a partir desse saber.

Talvez o maior desafio dessa próxima era, que já principiou sua instalação, seja despertar em nós mesmos a capacidade de analisar o que os currículos nos propõe em matéria de ensino. Criticar por criticar não tem utilidade, não se obtém resultados a partir disso. Mas criticar, sugerir mudanças e apropriar-se delas ganha nova dimensão quando falamos em educação.

Também acho que a educação seguirá um rumo em que os alunos escolherão o que desejam estudar, e o que lhes motiva a busca de conhecimento. Assim não veremos pessoas frustradas, tentando entender como funcionam os processos químicos, sem sucesso, quando gostariam de estar estudando outra língua, e seus processos de comunicação. Isso não é muito mais lógico? Você fazer o que lhe motiva, com gosto e vontade, como se fosse uma brincadeira de aprender? Falo isso, pois comigo sempre funcionou assim, estudava gramática, redação e língua espanhola por vontade própria, em casa, no colégio, sem ninguém precisar mandar, mas simplesmente por gosto. Não é preciso dizer que minhas notas sempre eram as melhores nessas três matérias. No entanto, o currículo nos obrigava - e ainda obriga - a estudar o que não apreciamos, mas devemos aprender para conquistarmos uma vaga na universidade pública. Que motivação besta para adquirir conhecimento, diriam alguns. Eu diria. Mas se não conquistarmos uma vaga na universidade, como sairemos do lugar em que nos encontramos em matéria de profissão e encaixe social, se o sistema funciona exatamente dessa forma, através do título e seu encaixe no contexto de trabalho? Não estou criticando no todo esse tipo de sistema, pois acredito que possui suas qualidades, como tudo, mas critico o que nós é posto como matéria obrigatória, e como esse sistema de obtenção de títulos menospreza nossas aptidões em geral, além de ser desestimulante e cada vez mais excludente com os que não se encaixam.

Abaixo, transcrevo essa interessante citação feita por Bauman na entrevista - Marco Polo por Ítalo Calvino (1990, p.150) - que a meu ver representa bem essa condição de sistema social e seus encaixes e desencaixes:

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer o inferno. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte dele até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o quê, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial

Taare Zameen Par – Every Child is Special (Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial)


Este filme é esplêndido. Esplêndido porque trata sobre o diferente que somos todos e como querem nos enquadrar em situações e controles que não nos dizem nada, simplesmente nos incomodam e minam nossa vontade de ser. Sabe, é de se sentir pena das pessoas que entram nesse controle, que afinal somos nós, porque, olhando assim de fora, é tão impróprio querer que um passarinho se arraste e uma cobra voe... 

Somos todos diferentes e que lindo isso é, porque, com nossas diferenças somamos uns aos outros, com nossos conhecimentos, aptidões, gostos, completamos o quebra-cabeça de pessoas que fazem parte deste mundo. 




Bom filme!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Comentário no blog de um colega

Após diversas visitas em blogues criados pelos colegas desta disciplina, achei interessante a imagem e análise da colega Lizi, às quais pode-se conferir no link abaixo:


A noção que forjamos de igualdade se baseia em nossa profunda necessidade de nos sentirmos melhores. Melhores para nós e melhores para os nossos pares. Melhores do que os piores. Mas quem ou o que são os piores afinal? Nossos estudos devem ter como premissa a identificação do que de fato é pior, não do que nos é imposto como pior. A igualdade que tanto que é clamada em alguns momentos, primeiro passa pelo nosso crivo interno, e percebemos assim até que ponto nos comportamos como iguais, sendo desiguais como somos. Até onde respeitamos a desigualdade do outro e a nossa consequente desigualdade, considerando a sua posição e relevância no contexto?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Resumo da Proposta Pedagógica para o Ensino Médio no RS

A educação básica e o ensino médio precisam ser reformulados tanto nos currículos, na infraestrutura das instituições e bem como na formação de professores mais flexíveis e mais abrangentes do que especializados. Essa reformulação na educação é consequência dos percentuais negativos levantados em 2010 e 2011 sobre as matrículas, as aprovações e as evasões nas escolas mostram uma realidade preocupante, no qual reflete a permanência de antigos problemas. A proposta para melhorar a situação é a construção de uma política de Educação Profissional que integre a educação profissional e tecnológica ao Ensino Médio de forma integrada, concomitante e subsequente que possa atender alunos com situação escolar diferente e preparar o estudante tanto para o trabalho como para vida social e ainda com uma formação que assegure a relação entre teoria e prática.

Neste ponto do programa o trabalho é abordado como princípio educativo no modelo educacional contemporâneo, e auxiliar no processo de formação do indivíduo em sociedade. Essa abordagem exige uma política diferente em matéria de seleção e organização do conhecimento pelo educador/escola, o qual será apresentado ao aluno, contextualizando a sua realidade como ponto de partida para a aquisição de conhecimento e compreensão do que o cerca. A nova base curricular será pautada, portanto, sobre as bases epistemológica, filosófica, sócio-antropológica e psicossocial.

É fato, que a partir do conhecimento na sua forma contemporânea que se pode compreender a realidade e a própria ciência no seu desenvolvimento histórico. A relação da teoria com a prática se apresenta como uma imposição da vida em sociedade, oque se espera acontecer naturalmente, ao colocar em ação o pensamento. A prática exige uma reflexão para não ficar na mera execução, dando as devidas condições, os meios bem como a comunicação sejam abrangentes e claros.

A formação de novos saberes vai possibilitar um crescimento onde todas as partes podem ser afetadas de modo positivo, onde as formas de ser dêem vazão aos sujeitos, sendo críticos e ainda mais reflexivos, reunindo na  pesquisa um "novo” caminho a ser trilhado.

O fazer pedagógico se caracterize por novos meios, práticas e fazeres, possibilitando o preenchimento de um espaço a ser conduzido para uma melhoria do social, refletindo diretamente nos valores do ser humano.

É interessante ver na proposta os itens do currículo que além da formação geral sólida colocam “uma parte diversificada, vinculada a atividades da vida e do mundo de trabalho”. Penso ser essencial esse senso de realidade ser proporcionado como parte de uma formação completa do ser humano, onde a teoria pode ser explorada fazendo conexões com o dia-a-dia. Parece também um tanto interessante, a ideia dos alunos terem conhecimento sobre psicologia da educação e da aprendizagem e adicionaria neste tópico - com carinho especial a ser explorado- um estudo sobre as emoções e suas relações com o aprendizado. Acredito que esse tema colaboraria de forma positiva na formação mais integral desses futuros homens e mulheres de nossa sociedade.

As metas propostas para o Ensino Médio Politécnico (EMP) e Ensino Médio Curso Normal (EMCN) constituem-se basicamente na universalização do EMP, aumento na taxa de aprovação e permanência dos alunos no EMCN e EMP, ressignificação do ensino médio através de reestruturação curricular que deverá ser implantada de 2012 a 2014, formação continuada para os Professores do Ensino Médio e desenvolvimento de projetos de iniciação científica nas Escolas de Ensino Médio.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Artista importante para mim

 
Shakira em Bangladesh (2007)
Nestas imagens, a princípio, vemos uma moça segurando um nenê e mais adiante, a mesma moça conversando com uma menina.

Trata-se da cantora colombiana Shakira Mebarak, que além de cantar, compõe suas músicas, produz as coreografias, os arranjos, produz seus concertos, é empresária e, o mais importante: é Embaixadora da Boa Vontade da Unicef.

Essa artista é importante para mim, pois acompanhei sua carreira desde que ela apareceu no Brasil, entre 1995 e 1996. Além de desarrollar meu espanhol cantando suas músicas, sempre extraí de suas letras muito mais do que movidas gostosas de dançar, extraí conselhos amorosos, de auto estima, aspectos nossos de cegueira moral e de como podemos nos tornar indiferentes aos outros na sociedade atual.

Shakira representa para mim, muito mais do que suas músicas, representa suas atitudes de filantropia, suas ações para tentar melhorar o futuro de milhares de crianças e sua preocupação com o futuro da humanidade. Não se trata de uma artista qualquer além do mais e, mesmo que muitas pessoas insistam em colocar em dúvida seu talento musical, digo que seu talento vai muito além de notas musicais, vai em unir sua potência artística à sua capacidade de concretizar seus sonhos. Alguém ainda consegue suspeitar de uma mulher assim? Ela atinge milhares de pessoas com suas músicas e suas ações, ela criou e mantém instituições que abrigam menores carentes, e ainda brilha como o sol, com todo o carisma que lhe é devido.
Shakira em sua causa junto à UNICEF

Eu, como mulher e como mãe, me sinto feliz de existir uma mulher como a Shakira, que além de alegrar multidões com seu talento, usa esse poder gerado pela sua notoriedade para auxiliar pessoas consideradas invisíveis, pessoas à margem da sociedade e esquecidos por todos.




 
Se quer saber mais sobre os trabalhos de Shakira, clique aqui: